ARCO REAL
A pura Maçonaria Antiga


A História do Sagrado Arco Real dentro da maçonaria, e particularmente sua presença no Grande Oriente do Brasil (GOB), é um tema rico e com nuances importantes que unem a tradição maçônica internacional com o contexto brasileiro. A seguir, farei um panorama histórico e explicativo:
História do Sagrado Arco Real na Maçonaria
O Sagrado Arco Real (Royal Arch) é um dos graus mais antigos e significativos da maçonaria capitular. Ele é geralmente considerado uma continuação do grau de Mestre Maçom, sendo muitas vezes descrito como a “culminação” da maçonaria simbólica.
Origens Internacionais
O grau do Arco Real tem raízes documentadas no Reino Unido desde o início do século XVIII. Ele começou a ser conferido em lojas maçônicas antes mesmo de haver uma separação clara entre os graus simbólicos (Aprendiz, Companheiro e Mestre) e os chamados “corpos adicionais”.
Em 1751, a chamada “Grande Loja dos Antigos” defendia a importância do Arco Real como parte integrante da maçonaria.
Em 1813, com a u nião entre a “Grande Loja dos Antigos” e a “Grande Loja dos Modernos”, formando a Grande Loja Unida da Inglaterra, o Arco Real foi oficialmente reconhecido como o único grau além dos três simbólicos.
O Arco Real trata da reconstrução do Templo de Salomão após o exílio babilônico, oferecendo uma narrativa complementar à construção original retratada nos graus simbólicos.
O Sagrado Arco Real no Grande Oriente do Brasil (GOB)
O Grande Oriente do Brasil (GOB), fundado em 1822, é a mais antiga obediência maçônica do país. Historicamente, o GOB trabalhou com os graus simbólicos e, mais tarde, também reconheceu e passou a administrar graus filosóficos através de seus corpos jurisdicionados.
Introdução do Arco Real no GOB
Durante muito tempo, o grau do Arco Real era praticado por corpos independentes no Brasil, ligados a sistemas estrangeiros (principalmente ingleses e norte-americanos). O GOB, em sua estrutura tradicional, não incluía esse grau como parte de seus ritos oficiais.
Contudo, nas últimas décadas, com o fortalecimento dos Altos Graus e da integração com os Ritos Capitulares, o GOB passou a abrigar e reconhecer os Capítulos do Arco Real.
Sistema e Rito
No GOB, o Sagrado Arco Real é praticado geralmente sob o Rito de York, onde faz parte da sequência natural após os graus simbólicos:
1. Mestre de Marca
2. Mestre Passado
3. Muito Excelente Mestre
4. Maçom do Sagrado Arco Real
Esses graus são conferidos em Capítulos Capitulares, ligados às Potências Capitulares filiadas ou reconhecidas pelo GOB.
Administração e Reconhecimento
O GOB reconhece o grau por meio de suas jurisdições capitulares, geralmente associadas a um Supremo Capítulo do Arco Real (como no caso do Supremo Grande Capítulo dos Maçons do Real Arco do Brasil, quando em comunhão com o GOB).
A prática segue os padrões internacionais, sendo reconhecida por potências como a Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE) e o General Grand Chapter of Royal Arch Masons International dos Estados Unidos.
Significado Filosófico e Esotérico
O grau do Arco Real é considerado por muitos como um dos mais espiritualmente ricos da maçonaria, pois trata da busca pela Verdade Perdida e do reencontro com o Nome Inefável de Deus, tema central da espiritualidade judaico-cristã.
A presença do Sagrado Arco Real no Grande Oriente do Brasil representa um elo entre a maçonaria simbólica e os altos graus que aprofundam a jornada filosófica do maçom. Sua adoção e prática dentro do GOB mostram a abertura da obediência à tradição universal da maçonaria capitular, valorizando o patrimônio espiritual e simbólico que esse grau representa.
Sobre o ritual do Sagrado Arco Real com foco nos paramentos e elementos simbólicos utilizados, mantendo o respeito ao sigilo maçônico. Apresentarei a estrutura geral e o simbolismo dos paramentos usados pelos oficiais e participantes no Capítulo do Arco Real, como é praticado em corpos ligados ao Grande Oriente do Brasil (GOB), dentro do Rito de York.
Visão Geral do Ritual do Sagrado Arco Real (sem sigilo)
O ritual do Sagrado Arco Real é profundamente simbólico e dramatiza a reconstrução do Templo de Jerusalém, após o retorno do povo judeu do cativeiro babilônico. É centrado na busca e redescoberta da Palavra Perdida, simbolicamente perdida no Grau de Mestre Maçom.
Elementos-Chave do Ritual
A lenda é inspirada nos livros de Esdras, Neemias e Ageu.
Três companheiros (representando os iniciados) descobrem uma câmara subterrânea sob os escombros do antigo templo.
Dentro da câmara, encontram uma arca com o Nome Inefável de Deus.
O ritual culmina com a revelação simbólica da Verdade espiritual e a consagração do templo reconstruído.
A cerimônia é rica em drama ritualístico, com travessias de véus, diálogos simbólicos e participação ativa dos oficiais.
Paramentos do Sagrado Arco Real
Os paramentos do Sagrado Arco Real são bastante distintos dos graus simbólicos. Eles têm cores, símbolos e formas específicas que remetem ao conteúdo espiritual do grau.
Paramentos como Extensão do Ritual
Os paramentos do Sagrado Arco Real não são meros enfeites – eles são extensões vivas do próprio ensinamento ritual. Cada cor, símbolo e insígnia comunica verdades espirituais:
O vermelho: o fogo da busca espiritual.
O Triplo Tau: a Tríade Sagrada e a Palavra Perdida reencontrada.
O Avental: a dignidade daquele que desce às profundezas para encontrar a Luz.
